Em entrevista, o pastor John Mulinde revela todos os segredos da transformação ocorrida em Uganda
O 14º Congresso de Louvor e Adoração do Diante do Trono trouxe um
preletor que tem feito diferença em seu país. Seu testemunho ficou
conhecido em todo o mundo por meio de um documentário chamado
“Transformação”, que registra mudanças operadas por Deus em muitas
nações. Uganda foi transformada pelo poder de Deus e John Mulinde foi um
dos líderes que Deus usou para unir a Igreja e mudar o país. É a
segunda vez que ele vem à Igreja Batista da Lagoinha. A primeira foi em
2011 no congresso de pastores. O pastor e doutor John Mulinde, 50,
nasceu, cresceu e mora em Kampala, Uganda, de onde tem viajado para
conferências internacionais, e fala três línguas fluentemente. É casado,
tem 9 filhos (6 biológicos e 3 adotados), e pertence à igreja World
Trumpet Mission. John nasceu numa família católica muito devota e, perto
dos 20 anos, encontrou a salvação. Em entrevista exclusiva a Atos Hoje,
John Mulinde conta sua história e como aconteceu a transformação de seu
país de nação islâmica a nação cristã.
Lagoinha.com: Como aconteceu a sua conversão?
John Mulinde: Desde garoto eu gosto de ler. Certo
dia, não tinha um livro para ler, então, fui visitar minha irmã, e lá
achei um livro intitulado “Nove horas da manhã”, de Dennis Benet, um
líder episcopal nos EUA. Li todo o livro em uma única noite e minha vida
foi mudada. O livro é a história de como o Espírito Santo agia no meio
do povo, batizava com o Espírito Santo e as pessoas falavam outras
línguas. Eu jamais tinha ouvido falar disso e não imaginava que Deus
poderia agir dessa forma nos tempos atuais. Então, orei: “Deus, se isso
serve para os nossos dias eu quero. Eu pago o que for pago para ter
isso”. Um mês depois, houve uma reunião na cidade onde as pessoas
adoravam em línguas estranhas, e eu novamente falei com Deus que, se
aquilo fosse real, eu também queria. Eu disse: “Deus, eu não preciso de
milagre, cura, riquezas, eu só quero ser salvo. Se o Senhor for real
muda-me em sete dias. Se nada acontecer nesse tempo, eu nunca mais
voltarei ao Senhor. Dois dias depois, fui para a universidade onde um
aluno me confrontou perguntando: “Você é salvo?” Diante da negativa, ele
passou a pregar para mim. Como estava atrasado para aula, o único jeito
de me livrar daquele rapaz foi aceitando a Jesus. Nesse momento me
lembrei do livro que dizia que, quando uma pessoa aceitava a Jesus ela
sentia alegria e um calor diferente. Por isso, resolvi tentar. Orei
genuinamente, mas nada mudou. Concluí que Jesus não era real.
Entretanto, ao voltar para o meu escritório, escutei um estrondo e uma
voz falou comigo dizendo: “Acredite que você está salvo e você será
salvo”. Isso aconteceu quatro vezes, então me rendi e me entreguei
verdadeiramente ao Senhor Jesus.
Lagoinha.com: Antes de entendermos a transformação realizada em Uganda, gostaríamos de entender o país sob a sua ótica.
Jonh Mulinde: Uganda é uma democracia com 34
milhões de habitantes que falam inglês e lugande, mas temos 52 tribos
com 48 diferentes línguas. Temos presidente, primeiro ministro,
parlamento, mas também temos reis que lideram diferentes regiões. Uganda
é um pais unitário, não tem estados, mas temos um movimento acontecendo
pelos últimos 10 a 15 anos, em que 5 países querem se juntar – Uganda,
Quênia, Tanzânia, Luanda, Burundi. Penso que nos próximos 5 anos vamos
nos juntar. Uganda faz parte do que os historiadores chamam de útero da
África, porque a maioria da população africana saiu daquela região e se
espalhou pelo continente. É considerada a parte negra da África, com
grande presença de macumbaria, feitiçaria e outras forcas espirituais.
Quando o Evangelho chegou foi uma luta tremenda, mas 10 anos depois,
tínhamos muitas pessoas convertidas e outras totalmente contra o
evangelho, o que ocasionou conflitos que levaram o rei a decidir que os
cristãos deveriam renunciar a fé, caso contrário, seriam mortos. Até
jovens no palácio do rei não renunciaram a fé e foram mortos, ficando
famosos em Uganda. Isso foi benéfico para a expansão do Evangelho em
Uganda, que se tornou o centro do avivamento na África, em 1935,
chegando até a África do Sul. Missionários saíam de Uganda para a
Europa, Austrália e Canadá. Até os anos 60, a igreja era forte. Entre
1971 e 1979, tivemos um presidente militar chamado Idi Amin, que baniu
as igrejas evangélicas e declarou o país como sendo islâmico. Depois de 8
anos de reinado de Idi Amin, Uganda saiu de 3% para 11% de mulçumanos.
Idi Amin perseguia as igrejas e matava os seus líderes. Muitas pessoas
se convertiam ao Islã por que o governo as ajudava com dinheiro,
trabalho, privilégios em todos os sentidos. Se você fosse cristão, não
podia trabalhar e tudo mais. Foi um tempo difícil. Durante esses 8 anos a
igreja começou a orar muito, não nos prédios das igrejas, porque eles
foram fechados. Se orasse em casa, o governo prendia, por isso, o povo
começou a se reunir nas florestas, pela madrugada. Mesmo assim, muitos
foram presos e mortos, mas foi justamente nesse tempo que a igreja viveu
uma unção tremenda que se espalhou pela nação. Quando Idi Amin saiu do
poder, tudo foi voltando ao normal, o país foi melhorando, então o nível
de oração diminuiu. A consequência foi que, devagar, voltávamos a ter
confusão, discórdia, ditadura, abuso de direitos humanos, estava se
formando um caos. Mas a igreja acordou novamente e voltou a orar
fervorosamente. Nessa época, a presença de Deus foi tão forte que era
visível aos olhos humanos. Era como uma fumaça que tomava conta das
igrejas. Você via as pessoas orando, mas não conseguia ver a parte de
cima dos seus corpos. Houve uma onda de milagres e curas em todas as
igrejas – tradicionais, pentecostais, carismáticas.
Lagoinha.com: Alguém ou alguma igreja coordenou ou organizou esse movimento?
Jonh Mulinde: Não. Foi um mover de Deus. Depois de
um tempo começamos a ver as igrejas crescendo, milagres acontecendo, a
nação começou a ser curada. Então, veio um segundo período, um movimento
um pouco mais organizado entre as igrejas, quando Deus começou a
colocar em nosso coração o destino de nossa nação, não orando somente
pelos problemas que estávamos vivendo, mas também pelos propósitos que
Deus tinha para nós. Já tivemos um movimento no país de oração pela
AIDS, um problema que estava destruindo nosso povo. Foi somente quando
Deus começou a falar sobre o destino da nação que começamos a fazer um
movimento organizado, indo de Norte ao Sul, Leste a Oeste construindo
altares de adoração ao Senhor em toda a nação; e falávamos às pessoas
para que construíssem altares em suas casas, igrejas empresas.
Lagoinha.com: Vocês usaram muita mídia, TV, rádio, durante o movimento de avivamento?
John Mulinde: De fato, não. Houve um tempo que
tínhamos alguns programas de rádio, mas foram dirigidos para que
pregassem somente o Catolicismo e o Islamismo. Com o tempo, o governo
abriu outras mídias, mas eram mídias podres, de linguagem obscena. Por
isso, decidimos banir essas rádios de nossas casas. Mas percebemos que
nossos filhos estavam escutando essas rádios nas escolas, então,
começamos a orar pedindo a Deus que nos desse a mídia. Em seis meses, a
primeira rádio evangélica foi aberta, depois a primeira TV. Hoje, somos
150 rádios e não existe uma sequer que não tenha programas evangélicos
todos os dias. O gosto da população mudou. Quem quiser alcançar o povo
terá que colocar música gospel e apresentar programas gospel. Todas as
TVs têm programas gospel. Nós não dominamos a mídia, mas ela está
trabalhando para Deus.
Lagoinha.com: Em resumo, quais seriam os segredos dessa transformação?
John Mulinde: Penso que são vários: buscar a Deus
por meio da oração, jejum, buscando o Espírito Santo, realizar uma
guerra espiritual com estratégias, trabalhar por territórios, libertando
cidades, buscar unidade do Corpo de Cristo, porque sem unidade você
diminui sua autoridade no mundo espiritual. Quando igrejas caminham
juntas a autoridade aumenta e elas podem entrar no governo, no mercado,
na mídia, nas escolas. Foi no segundo momento de oração, quando Deus
falava sobre o destino da nação, que começamos a entrar no parlamento,
palácios e firmar altares de oração em todos os ministérios do governo.
Então, começamos a ver muitos governantes e celebridades, como cantores,
atores, se rendendo a Jesus. Muitos e muitos líderes mulçumanos se
renderam a Jesus, não sei se vocês conhecem, mas há outro pastor com o
mesmo nome que tenho, Mulinde, que hoje está em tratamento médico em
Israel porque jogaram ácido na face dele. Esse pastor foi usado para
alcançar milhares de líderes mulçumanos. Oficialmente, hoje, o país tem
12% a 13% de mulçumanos e 86% de cristãos, incluindo a Igreja Católica.
Lagoinha.com: Em quanto tempo aconteceu esse avivamento?
John Mulinde: Desde o tempo de Idi Amin; em torno
de 30 anos. Mas mesmo hoje tem muita coisa acontecendo em Uganda. A BBC,
a TBN, e outras empresas seculares têm feito documentários sobre a
transformação em Uganda. Eu diria que a transformação está acontecendo
no tempo presente. Estamos vivendo mudanças em todos os setores da vida
em Uganda. Quase tudo está melhorando. Em 1986, Uganda tinha menos de 15
fábricas em todo o país. Tudo estava em ruínas, quebrado, destruído.
Atualmente, estamos crescendo 6,6% ao ano, o que tem sido consistente
nos últimos 20 anos.
:: Atilano Muradas
Colaboração: Asaph Muradas
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